Hugo Camboim

Publicado em 12 de Fevereiro de 2017

Onde está o nosso Dória ?

O novo prefeito de São Paulo, que fez história ao ser o primeiro eleito em primeiro turno desde o estabelecimento da votação em dois turnos no Brasil, tem um estilo de trabalho bem diferente do padrão de grande maioria dos gestores, principalmente os de Patos e região.

Basta entrar em qualquer uma de suas páginas de comunicação para ter exemplos claros disto. Num primeiro post, ele aparece vestido de gari e ajudando a limpar as ruas da cidade; no segundo, lá está ele, às cinco horas da manhã e na companhia de alguns secretários enquanto “pega” ônibus junto com quem também sai neste horário para o trabalho. Um publicação depois e o mesmo está numa subprefeitura, fazendo visitas-surpresa em escolas, postos de saúde e demais órgãos públicos. Segundo o prefeito, é uma maneira de estar perto da realidade e vivenciar com profundidade os problemas da população.

Ainda além, Dória já conseguiu milhares de reais em investimentos da iniciativa privada e realizou grandes projetos a custo zero para a prefeitura. Sim, de graça. Sem contar com a redução de secretarias, cargos comissionados, veículos e a contratação de um gestor para as finanças de cada secretaria. Não bastasse isso, também doará todos os seus salários para instituições beneficentes.

Todos estes feitos servem para guiar nossa consciência até o questionamento “O que falta para termos um político-gestor?”. Fala-se, portanto, de alguém comprometido com o real desenvolvimento da cidade, o bem-estar da coletividade ao invés da busca pelo poderio familiar que deveria ter se encerrado junto com a época do coronelismo.

O que agrava esta situação é que, infelizmente, não há mais como esperar. A coisa pública é tratada com cada vez mais descaso; as gestões fazem, abertamente, distribuição de cargos e serviços; o povo, enquanto isso, perde de usufruir com maior aproveitamento do que é seu de direito – a boa utilização dos recursos públicos.

Não falo aqui de gestão “A” ou “B” mas de uma realidade vivenciada cotidianamente por todo Brasileiro e, com ênfase, o cidadão sertanejo. Isso porque ainda persistimos num sistema político que gira em volta da alternância de poderes entre famílias tradicionais da cidade que mudam apenas os nomes, mas mantém os nocivos hábitos administrativos, afetando o indivíduo de modo muito infeliz.

De fato, mesmo que encontrássemos um empresário, ou qualquer outro, que resolvesse dedicar-se a administração do município com ousadia, inovação e favorecimento da produtividade em todos os setores… O possível eleito, ainda assim, sofreria com severas dificuldades. Ora, desacostumar uma cidade que funciona do mesmo jeito desde sua emancipação não é tarefa fácil! Entretanto, é possível. E isto basta.

Certamente o nosso personagem encontraria desafios-mil em seu primeiro ano de governo. Porém, muito previsivelmente, nada se compararia a sua popularidade quando os resultados começassem a aparecer. Quando, finalmente, a população enxergasse que mais vale um emprego para pessoas verdadeiramente capacitadas e aptas a dar um bom funcionamento para as instituições do que seu familiar que, apesar de não possuir os requisitos, terá outras oportunidades e, mais ainda, a possibilidade de aproveitar dos seus direitos com excelência e desfrutar do mais alto desempenho nos órgãos públicos.

Não estamos aqui romantizando um ser-perfeito dotado de inúmeras qualificações para gerir um município. Apenas o cumprimento do mínimo, o exercício de simples deveres éticos e humanos como zelar o que é do próximo e fazer valer a confiança depositada em suas mãos. Não é por acaso que o Brasil e mundo vem dando sinal verde para os que distanciam-se da imagem de político e aproximam-se do perfil do líder que serve e gerencia o que lhe é delegado.

É preciso de muita coragem para personificar estes valores e, mais ainda, ser aquele que romperá com os ciclos de gestões comprovadamente ineficazes e danosas, mas é o custo, futuramente irrelevante, que tem de ser pago para a garantia de um bem maior.

Não sabemos quando teremos o primeiro a replicar este caráter e disputar as eleições. Talvez nas próximas, talvez somente após duas ou três outras repetições do mesmo ciclo… mas esperamos, ansiosamente, que venha e que seja breve.

Precisamos de você.