Publicado em 15 de Fevereiro de 2017

Comunicação: condição precípua da humanidade

Sem dúvida, habitar em comunidade foi o estímulo maior do processo de evolução dos seres humanos, únicos dotados de capacidade linguística, segundo o filósofo Aristóteles (384-322 a. C.), condição que lhes promove civilidade, politicidade e sociabilidade. Desse modo, para melhor viver e conviver, a humanidade começou a criar, usar e compartilhar os mais diversos signos visuais e linguísticos: sinais, desenhos, palavras, rituais, etc. Tudo isso é fundamental para entender como funcionam as sociedades de modo geral. Nessa conjuntura, o surgimento da escrita foi essencial para a organização e a estruturação do pensamento e o registro das atividades humanas, através dos tempos e dos distintos contextos.

Contudo, por muito tempo, apesar de sua importância, a escrita foi marginalizada. Os inventos de equipamentos de comunicação, como o telefone e a televisão, valorizaram sobremodo a interação oral e tornaram o cotidiano mais simples e os processos comunicacionais menos complexos, pelo menos no que se referia à agilidade deles. Esse cenário começou a ser radicalmente modificado com o acesso à Internet e o advento da comunicação virtual, com e-mail, blogs, redes sociais em geral. Aqui, as comunicações tornaram-se mais imediatas, envolvendo alterações linguísticas, inclusive morfológicas: palavras perderam e ganharam letras, por exemplo; mais neologismos surgiram; signos visuais misturaram-se intensamente aos verbais. Assim foi sendo construído um novo e múltiplo universo de interação.

Hoje, a comunicação oral e a escrita são igualmente importantes e fazem parte da vida de qualquer pessoa, das mais variadas formas. Vive-se em um mundo mesclado de linguagens, o que pode ser facilmente comprovado no cotidiano simples e comum das pessoas quando vão a um supermercado e lá procuram um determinado tipo de sabão, e, para encontrá-lo, leem rótulos; quando querem uma informação e, para isso, precisam da leitura de um manual; ou em uma situação mais formal, como as experiências vestibulares em que se pede para o vestibulando escrever uma dissertação-argumentativa, por exemplo.

 Assim sendo, em uma sociedade gráfica e de múltiplas linguagens, é perceptível a necessidade de se aprender a ler e a escrever, com propriedade, com clareza e competências, nos mais variados contextos comunicacionais. Portanto, é necessário que ouvinte-falante-redator muna-se de habilidades leitoras, orais e redatoras, como a compreensão, a interpretação, a análise e a escrita objetiva, capazes de tornarem sua vida mais prática, mais efetiva. Para isso, nada mais eficiente do que o convívio intenso com a pluralidade de gêneros textuais, jornalísticos, literários, científicos, digitais, entre outros, que, relativamente estáveis, vão nos familiarizando com o versátil mundo da comunicação contemporânea.

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