Publicado em 28 de julho de 2017

O cordel e a cultura

O cordelista e professor, Janduhi Dantas, natural de Patos, esteve de passagem pela cidade e conversou com Giranotícia sobre o desenvolvimento dos seus trabalhos literários que vem ganhando destaque nacionalmente.

A paixão pelos versos começou ainda cedo, na infância, como explica Janduhi. A família se reunia para ler cordéis e ouvir os programas de cantorias da Rádio Espinhas, e isso fez com que aos poucos esse amor pelas palavras fosse despertado. Os primeiros versos veio na adolescência, mas a primeira publicação apenas aos 40 anos.

A Gramática no Cordel (2004) foi a sua primeira obra, que surgiu a partir das atividades como professor de língua portuguesa. Em 2009, teve a oportunidade de publicar Lições de Gramática em Versos de Cordel pela editora Vozes, uma das maiores do país que fez com que a obra alcançasse todo o país. O livro já está na 5ª edição, contando com aproximadamente 400 estrofes de gramática, fazendo um passeio pelo cordel, como ele mesmo define.

Os cordéis são voltados para a sala de aula, e também procuram abordar questões sociais que possam gerar debates. Além disso é estimulado o resgate da cultura através de fatos históricos, como o da Revolta de Princesa, movimento político deflagrado em 1930, no município de Princesa Isabel, Sertão da Paraíba, que contribuiu de forma significativa para a revolução de 1930, em todo o país.

As próprias histórias contadas da comunidade ajudam a diminuir a distância entre o público e a literatura. “Você consegue se servir da literatura de cordel, e acaba servindo a ela. Porque quando a gente joga um cordelzinho na escola, vez ou outra alguém que não conhece passa a conhecer”, afirmou.

Esse gênero literário popular no país vem passando por um processo de revitalização na busca por novos amantes do cordel, e tudo começa na sala de aula, mas o grande problema ainda está na falta de incentivos públicos. Nessas horas, o professor acaba fazendo o papel de mediador cultural. “Quando o secretários de educação, um gestor público, não tem aquele olhar para essa literatura, ou para a cultura de modo geral, às vezes os professores acabam levando os nossos trabalhos para a sala de aula”, enfatiza Janduhi.

Em seu ponto de vista, qualquer dificuldade para que se publique uma obra pode ser superada através de um trabalho de qualidade, e com as tecnologias disponíveis pode ser ainda mais fácil. “O suporte para o cordel não é somente o papel, ou a impressão gráfica. As redes sociais têm servido de grande suporte para a literatura”,  conclui.

Por Ray Santana

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