Publicado em 26 de julho de 2017

Bosco Valadares: o problemas do SUS é gestão

Os cortes nos repasses da saúde destinados aos municípios têm prejudicado a atuação na prevenção e controle de epidemias pelos agentes de endemias, isso porque os investimentos acabam sendo prioritários nas áreas onde há emergenciais, e não nas de prevenção.

O Presidente do Sindicato dos Agentes de Epidemias e Comunitários de Patos e Região, Bosco Valadares, explica que o problema de superlotação dos hospitais públicos acontece porque na maioria das vezes não há o cuidado em sua raiz, que geralmente está associada a falta do controle preventivo.

Membro da Mesa Nacional do Sistema Único de Saúde, Bosco afirma que o sistema é um dos melhores, mas que essa redução orçamentária compromete a qualidade do atendimento. Segundo ele, o município de Patos possui uma rede estruturada para dar suporte a população, mas que há também uma má gerência dos recursos que são repassados. “Eu não digo que o sistema é perfeito, não é, mas a sua imperfeição se dá por dois motivos: subfinanciamento e má gestão”, afirmou.

Um exemplo desses problemas relacionados a gestão é o dos atendimentos médicos pelos municípios que não mantêm o controle a partir dos pontos eletrônicos. Isso acaba impedindo uma fiscalização rigorosa do atendimento para que se possa chegar a um parâmetro máximo de qualidade, não existindo a comprovação da prestação do serviço. A implantação da ferramenta vem sendo recomendada pelo Ministério Público Federal aos gestores públicos, mas até agora processo vem sendo negligenciado.

Uma das forma de acompanhamento da gestão é o Conselho Municipal de Saúde, formado por representantes da saúde e instituições públicas a fim de garantir a promoção de política públicas. O conselho não tem poder jurídico, mas possui o papel de fiscalizar a aplicação dos recursos e controlar a execução das ações. Caso seja encontra alguma irregularidade, os membros encaminha a denúncia à justiça para a investigação.

“O maior desafio do sistema é a participação. Porque o SUS garante o controle social através de lei 8.142, que diz que a participação da população é importante para a construção da política de saúde”, afirmou quanto a dificuldade de cobrança por parte da comunidade.

O atendimento começa em casa

De acordo com Bosco, o programa Saúde da Família não é desenvolvido de forma correta, com o acompanhamento real das famílias em suas residências pela equipe médica, o que ajudaria a reduzir as filas nas unidades de saúde.

Os agentes comunitários acabam suprindo esse papel de acompanhamento sozinhos. Segundo uma pesquisa realizada pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) o agente comunitário de saúde é o que mais adoece, e isso por estar em contato direto com a população que vive em ambientes expostos aos riscos de desenvolvimento de doenças.

Com as mudanças nos repasses dos recurso federais fica a dúvida de como será realizada a sua aplicação, e isso porque não há a garantia de investimentos para cada projeto como acontecia anteriormente. Agora, com o Projeto SUS Legal, os repasses que eram feitos em seis blocos passam a ser em apenas dois: investimentos e custeio. Desse modo não há a obrigação de definir percentuais para cada área atendida.

Por Ray Santana

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