Publicado em 31 de julho de 2017

Sem Terra ocupa Embrapa

Um grupo com aproximadamente 30 famílias do acampamento Ana Patrícia, ocuparam na manhã de hoje (28), a fazenda do campo de experimento da Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa), às margens da BR 230, em Patos.

As famílias viviam alojadas próximas a Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (EMPASA), há 12 anos, e esperavam uma decisão do governo que pudesse garantir melhores condições de moradia. “Todos os anos a gente ocupa o INCRA, que fica de arrumar uma terra para a gente morar e plantar e nunca tivemos uma resposta do Governo Federal. E a gente, constrangido com isso, ocupou essa área”, afirmou Aldemir Silva, Militante no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

O acampamento é ligado ao MST, e além de reivindicar mudanças no cenário político, os ocupantes pedem que os hectares de terra que antes eram ocupados pela empresa sejam distribuídos entre as famílias do local para que possam morar e produzir. O campo experimental da Embrapa de Patos foi fechado em maio desse ano, quando foi transferido para o município de Monteiro.

A ocupação teve início por volta das 4h da madrugada, e a Polícia Militar fez o acompanhamento para garantir a tranquilidade. De acordo com Aldemir Silva, o local estava sendo usado de forma irregular após o fechamento. “Ao chegar aqui encontramos proprietários de gado, de loteamento, usando o espaço para ganhar dinheiro, os funcionários da Embrapa que arrendaram a terra”.

O grupo pretende permanecer até que se tenha uma decisão concreta. “Nós não vamos sair, vamos resistir porque o nosso lema é ocupar, resistir e produzir”, concluiu Almir.

Embrapa nega fechamento

Através da assessoria de comunicação, a Embrapa informou que a unidade de Patos não está fechada e que há funcionários trabalhando no local. Sobre a decisão de transferência do campo de experimental afirmou que os motivos que levaram a decisão foram os “sérios problemas de infraestrutura, escassez de água e de mão de obra nos Campos Experimentais de Patos e Missão Velha” e que por isso houve a necessidade de aumentar a eficiência da alocação de recursos humanos e financeiros concentrados na revitalização da infraestrutura em Barbalha e Monteiro.

Em relação a ocupação do local declarou que “a Embrapa tem o dever de zelar pela integridade do patrimônio público e está tomando as providências necessárias para ajuizamento de ação de reintegração de posse.”

Por Ray Santana

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